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6 de dezembro de 2016

Pequenos sopros




"Acreditamos ser velas acessas, que só serão apagadas quando toda cera se derreter. Que tolos somos nós, afinal, a morte é um simples sopro"


Tenho morrido todos os dias desde 5 de Dezembro de 2014. Uns dias mais que outros... Não é sempre pelo mesmo motivo, às vezes é por raiva, outras por decepção e até por hemorragia. Talvez você não entenda, pois você não sente. O que torna tudo mais difícil e complicado de explicar.

Queria não sentir, não importar, não me doar, não me doer. Sempre ouço que sou forte, e sou mesmo. Mas sou frágil também. Não quero carregar todos esses sentimentos comigo, mas também não consigo deixá-los, sinto-me ligada demais a eles. Ponto final é sofrido. 

Não culpo nada, nem ninguém por isso ou por tudo que vivi. Aconteceu. Infelizmente, aconteceu. E desde então tenho sobrevivido e vivido. Não da melhor maneira, mas da maneira que me convém. Insana, empenhada, burra, animada, aventureira, preguiçosa, decidida, bêbada e sei lá mais o que.  Todo dia eu morro. Todo dia eu vivo.  

16 de setembro de 2016

Sobre o que nunca saberei dizer


Não pude viver meu sonho, na verdade, sonhos. Tudo aconteceu muito rápido. Transformação e realização. Ápice! E você apareceu e me trazendo mais alegria. Nunca havia sentido tanta felicidade. Era tudo tão intenso.

Então tudo se transformou novamente. Mas dessa vez foi para pior. Não fui para a nova cidade, quase morri e não ficamos juntos. Tudo se foi. Acabou. Se perdeu. Eu perdi, me perdi.

E quando recomeçou, nasceu, não continuou. Outra cidade inédita. Pessoas novas. E nada de você. Demorei aceitar, demorei muito. Mas a vida acontece. E agora, até gosto daqui, mesmo sem mar, sem amor e sem você...

21 de setembro de 2015

Sobre o que não posso te contar


sabe, não gosto mais de escrever para você. na verdade não gosto mais nem de pensar em você. por isso estou falando baixinho, só aqui em pensamento para ninguém saber que ainda escrevo e penso em você. eu deveria ter ido passear em tua cidade, mas não tive coragem. enrolei, inventei desculpas e pretextos. não fui. não vou. tenho medo de te ver. e eu morrer. tenho medo do meu peito se abrir e tudo que eu sinto escapar e ficar zanzando por ai e eu nunca mais consegui guardar novamente. tenho medo dos meus olhos encontrarem os teus. tenho medo de te ver e não poder te abraçar e tenho medo de te abraçar também. eu não era medrosa, mas você me bagunça. a vida aconteceu do jeito dela. tudo mudou muito. eu mudei. transformei. por pressão, não por vontade simplesmente. sabe, eu sinto sua falta. sabe, eu quero tanto estar com você. eu queria que tivesse sido. e que estivesse sendo. mas não foi e nem é. ponto. ponto. ponto. olha, eu te gosto muito. mas isso não muda nada. a vida segue. sem o nós. sem o fim do mundo. felizes do jeito que tem que ser. do jeito que tem que ser. ponto. 

23 de junho de 2015

Tá frio aqui.


Não sei se o inverno começou oficialmente, sei apenas que o frio já fez morada em mim. Há algum tempo, confesso. Não, não é ruim, nem inédito. Não me assusto ou recuo. Ao contrário, aceito. Me entrego. O frio nunca me incomodou, sei me aquecer quando preciso. Mas ando com uma preguiça imensa. De tudo. De todos. Cansei, sabe?! Tô quietinha aqui no meu canto, sem esperar nada. Apenas desejando que tudo aconteça da melhor forma possível. Continuo vivendo, tentando melhorar. Seguir, esquecer. Abraço minha dor, me reconforto. Inverno-me.

21 de janeiro de 2015

"Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos"




"Je vous souhaite enfin de ne jamais renoncer à la recherche, à l'aventure, à la vie, à l'amour, car la vie est une magnifique aventure et nul de raisonnable ne doit y renoncer sans livrer une rude bataille. Je vous souhaite surtout d'être vous, fier de l'être et heureux, car le bonheur est notre destin véritable"

Jacques Brel

Um dos meus maiores sonhos é conhecer Paris e iria realizar este sonho em 2015, mais precisamente em Junho. Iria passar meu aniversário de 30 anos comemorando pertinho de Eiffel. 
MAS a vida é uma caixinha de surpresa, já nos ensinou o "velho bordão"! 
Com o acidente, tudo mudou e os meus planos não poderão ser concretizados. A vida está exigindo muita coragem para não me desanimar e desistir de tudo. TUDO. Não perdi a vida, entretanto um pouco de mim, morreu. 


Ainda carrego a parte morta comigo e dói muito. Dói o corpo e dói na alma também. Eu sei que alguns desses sonhos poderei realizá-los depois, mas outros não pois a oportunidade passou. Já há outras pessoas na obra que seria "a obra da minha vida", na cidade perfeita! Assim como o dia 13/12/2014 que seria um dia incrível e especial, não pude estar onde queria, nem com quem queria.

Apesar da gratidão por estar viva e não ficar com sequelas permanentes, me sinto triste e desesperançosa. Sinto saudade da minha vida e da pessoa que eu era, dos meus sonhos e amores. Mesmo fraturada, dolorida e dilacerada, estou me esforçando para me recuperar logo e poder seguir meu caminho, seja ele inédito ou conhecido.

"Por fim, espero que você nunca desista da busca, da aventura, da vida, do amor, porque a vida é uma grande viagem e ninguém consciente deveria desistir sem antes lutar uma dura batalha. Eu particularmente gostaria que você se sentisse orgulhoso e feliz, porque a felicidade é o nosso verdadeiro destino." 
(Tradução livre da frase que inicia esta postagem)

18 de maio de 2014

Sobre cortes e sangramentos


Hoje cortei meu dedo sem querer. Sangrou bastante, troquei três vezes o curativo. Eu estava sozinha, não tive ajuda de ninguém. Sei que isso não é novidade, estou sempre sozinha e aprendi a me virar assim. Não é um sofrimento, é costume. O problema é que, hoje quando me cortei, desejei que você estivesse por perto. Por um momento senti necessidade de ser amparada, me senti tão frágil. Procurei por todo apartamento e você não estava. Lembrei da questão geográfica, vivemos distantes um do outro. Senti tanta saudade que me deu um nó na garganta. Então te liguei, mas você não atendeu. Desliguei e voltei ao meu mundo, preferi não pensar no motivo. Continuei a fazer o almoço, terminei de lavar minhas camisas e fiz a resenha solicitada pelo meu professor de Psicologia Organizacional. As horas foram se arrastando, tirei um cochilo, telefonei para meus pais, terminei de ver a temporada de Hannibal e senti mais saudade. Ficar sem falar contigo me entristece, entretanto, não sou de insistir em ligações não atendidas. Sou mesmo uma cilada, sei que sou. E esquisita. Não gosto de hiatos. Quando sinto o corte em meu dedo latejar, fico confusa... Não sei se consigo permanecer muito próxima, tenho medo de sangrar novamente.
Por Camila Blopes

14 de fevereiro de 2014

'Dá pra ser feliz sem você, só é bem mais difícil'



Meu estomago cortado se contorce quando penso no quanto sou sozinha. Não que eu esteja infeliz, não é isso... Mas ultimamente sinto uma necessidade absurda de ser MAIS feliz. Gosto de poder escolher o que fazer, onde ir, o que beber, gosto de não depender de ninguém. Entretanto estou sentindo falta de alguém para compartilhar o tempo, a bebida, o amor, a vida.
Por Camila Blopes

15 de novembro de 2013

"O presente que se ignora vale o futuro."



Há muitos pensamentos que não consigo traduzir em palavras, me foge uma parte delas. Mas ainda assim tento te escrever. Tento falar que tenho medo de te perder, mas sou feliz quando te tenho. Eu sempre peço à Deus pra te protege e quando conversamos meus olhos ficam marejados, chego a tremer e que queria ter o dom de sempre te deixar feliz. Eu sei que faço um monte de besteiras... Mas sei lá, queria te fazer me compreender... Percebi que não sei lidar com a tua distância. Pode ser imaturidade, infantilidade. Não importa. Eu preciso de presença, mesmo que não seja física. Pensamos de modo diferente quanto isso! Essa questão tornou-se evidente demais. Apesar de gostar muito (muito mesmo) de ti, eu não consegui entender teu jeito de agir, não consegui me adaptar. Assim como tu não conseguiu se adaptar ao meu jeito dramático e intenso de ser. Acredito que sempre temos tempo para aquilo que é importante, coisa que tu nunca tem. Te entendi, mesmo não te renunciando, me afasto.

Por Camila Blopes

13 de novembro de 2013

Controvérsia


Você me diz que te tenho na mão, que nunca foi de alguém como é meu
Me chama de rainha e fala sobre o que sente
Me entrego, te entrego: meu coração é seu
Sou explicita, sou intensa mas não te sinto, não te vejo.

Você não demonstra, continua distante
Me deixa insegura e não se mostra disposto
Me sinto triste, constato que continuo a ser sozinha
Sou carente, estou carente de você

Eu reclamo, espero você entender
Você se cala, não entende
Te ligo e você não me atende

Você não vem, não me compreende
Te peço socorro!
Mas você não vem, continua distante...
Por Camila Blopes

31 de agosto de 2013

"Antes de você ir embora, deixa eu te pedir só mais uma coisa... Fica?!


Somente quando tenho whiskey misturado em meu sangue consigo admitir que sinto sua falta. Todos os dias grito para mim mesma que estou bem, que não quero ninguém muito próximo de mim. Mas quando começo a pensar no futuro, seu nome aparece em letras enormes, em neon, piscando intermitentemente.

Não é fácil assumir, mas penso muito em você e é mais difícil ainda dizer (ou escrever) que gosto verdadeiramente de você. Eu sei que não tem lógica, também não consigo entender, nunca fui boa em explicar, sei apenas sentir.

E eu sei que estamos nos afastando. Não iremos nos perder, pois nunca nos tivemos, mas não viveremos um futuro juntos. E isso é triste, pois sei que nos daríamos muito bem, sei o quanto te faria bem, sei o quanto seríamos felizes. Mas não quero lutar por isso. O amor não é guerra, ele é paz. E confesso que contigo me sinto em paz...
Por Camila Blopes

2 de agosto de 2013

Queria acreditar

 
 
Queria acreditar que desta vez seria diferente
Queria acreditar que desta vez eu não me daria mal
Queria acreditar que desta vez o fim não viria antes do início
Queria acreditar que desta vez que o universo estaria a meu favor
 
Queria acreditar, sinceramente, que desta vez a tristeza não seria meu amante.
 
Eu não acredito mais em destino forte e implacável
Eu não acredito mais em amor a primeira vista
Eu não acredito mais em palavras
Eu não acredito mais em esperas
 
Eu, simplesmente, não acredito mais em conto de fadas.

31 de dezembro de 2012

2013


E mais uma vez preciso parar de caminhar por aqui. Voltarei quando estiver refeita e pronta para sentir novamente, quando me libertar de tudo que está me fazendo mal...

2 de outubro de 2012

Medo do amanhã


Eu sou destemida, acredite. Eu vou! Pouco sei sobre o amanhã, nunca soube, mas a certeza que continuaria neste lugar conhecido me trazia paz. Acabou! Girou a roda do destino, não sei por onde estarei. A saudade me acometerá, eis minha única certeza. Continuarei a ir. Seguirei...
Não pedirei socorro, mas precisarei de um abrigo. Me acolha, me segure, não desista. Não me deixe desistir, por favor. Você tem me trazido sentimentos bons, preciso de ti. Preciso de paz... Dias bonitos. Quero estar contigo, pouco me importa onde. O que me importa é que sejamos: nós.
Por Camila Blopes

12 de junho de 2012

Carta para 12 de Junho de 2012


Querido 12 de Junho,

Hoje poderia ser um dia especial para mim, mas não é. Apesar de saber que é apenas um apelo comercial, eu simplesmente não consigo pensar assim, é mais que isso: é romântico e piegas (e eu adoro isso). Sabe, 12 de Junho, tenho visto tantos corações e casais por aqui, pessoas repletas de sacolas, lojas abarrotadas, centros comerciais lotados... será apenas consumismo ou ainda há pessoas piegas como eu?

Quem sabe devesse estar escrevendo para um amor inventado, um amor passado ou florear alguma relação real para não me sentir tão sozinha, ou para eu conseguir 'entrar no clima', mas não quero, nem posso. O dia 18 de Junho, logo aparecerá para aumentar minha idade, e eu o determinei como marco de mudança, estou ciente e convicta do que eu quero. Ah os meus vinte e sete anos, será doce!

Sinceramente eu sei que sou distante... Mas talvez um dia eu me canse e queira ser de algum lugar, pois como diz aquela canção 'minhas raízes estão no ar, minha casa é qualquer lugar'. Eu não sei lidar com finais e sempre sou abandonada, o que não é de todo ruim, pois não gosto de ter que ir, prefiro assim é menos difícil.

Por favor 12, seja legal com todos aqueles que me abandonaram, proporcione a eles um dia muito especial e repleto de sentimentos bons, que eles estejam com pessoas que realmente os ame, pois eu sou estranha e não sei amar ninguém direito...

Sei que posso contar contigo. Muito obrigada!

Ps. Te mando uma flor, sim, somente uma. Realmente no singular! E não, não é um girassol...
Carinhosamente
Camila Blopes

23 de maio de 2012

'mas é claro que o sol vai voltar outra vez'


Ultimamente a vida está me batendo muito. Tanta confusão aqui dentro que nem sei por onde me achar... Estou dormindo mal, é uma mistura de insônia com sucessão de pesadelos. Acordo cansada e cada dia mais sozinha. Nada nem ninguém me dá colo.

Feito uma criança mimada exijo que me dêem o que eu quero e se não me dão eu fujo. Corro e tento esconder de minhas escolhas. Entretanto sempre sou encontrada e obrigada a aceitar essas verdades dolorosas que a vida cospe na cara da gente que tanto dói e quase nos enlouquece.

Resisto... Eu não conformo. Eu vomito. Não aceito! Mas me respeite. Eu não sei aonde vou chegar, eu não sou daqui, mas moro ali. Também não sei nada sobre o tempo e nem se irei continuar gostando como eu gosto, hoje. Amanhã sou outra. Outro rio. Chuva sem abrigo. Crença em fantasma.

É que às vezes, só às vezes, eu te engulo só pelo prazer de vomitá-lo e dizer que você é indigesto e que não me faz bem. Largo em teu peito minha vontade e você não a abraça, você a joga pelo ar. Culpada! Culpado! Inocentes! Deixa, deixa... Eu posso suportar. Sempre sobrevivo ao amanhã, eu invento se for preciso. Eu não morro de amor, pode acreditar.
 Por Camila Blopes

29 de fevereiro de 2012

Sobre algo que eu não entendo

Nós nos encontramos por acaso naquela festa. Eu evitei te olhar o máximo que pude, eu fugi enquanto pude. Mas você veio e me abraçou, teus braços se encaixaram perfeitamente em minha cintura e teus lábios se moldaram aos meus. Foi surreal. Essa coisa de destino, constelações e cosmos já não me ajudam a explicar nada. O que tem que acontecer vai acontecer de qualquer jeito e pronto. Seria mais fácil se essa história se tratasse de uma comédia romântica, pois é sabido que a mocinha sempre fica com o moço bonito no final, apesar de todas as adversidades.

Você tem um jeito que me perturba, sua presença me incomoda e a sua ausência também. Você traz a tona um monte de sensações esquisitas e esquecidas. Eu fico inquieta e confusa, me atrapalho com as palavras e me afundo em alguma bebida gelada. Quero parecer forte e segura. Mas então você me olha com teus olhos grandes e decididos, eu me perco e quase me afogo. É constrangedor.

Eu sou frágil, sou medrosa... E eu quero te mostrar meu lado legal, eu tenho um, juro. O problema é que perto de você eu fico nervosa e acabo fazendo tudo inversamente ao planejado. Fico mais estabanada que o normal, mais insegura do que geralmente sou. Penso em um poema e falo palavrões. Quero pedir uma coisa e exijo outra. Digo uma coisa e faço outra. Entretanto não é por mal e não sei o motivo de agir assim.

Auto-sabotagem, talvez. É que a vida me joga na cara todos os dias que não sou princesa. A vida me fez engolir tantos desamores e abandonos. Em meus dias não há nenhum moço para me salvar de nada, eu sou sozinha. Eu sou estranha. Eu não se me portar diante de você e não como lidar com as sensações que você me provoca. Então se você não quiser mais me ver, eu vou não vou entender, mas irei agradecer por você ter me abandonado também.

Por Camila Blopes

22 de fevereiro de 2012

Confissão de um crime



E mais uma vez precisei cometer um assassinato. Mais um morto em minha vida... Dentre aqueles que eu me lembro, este foi o mais difícil. Eu tinha intimidade com o sujeito, ele fez parte da minha vida durante anos. Quando você permite alguém se aproximar demais de ti, fica suscetível a decepção e foi isso que aconteceu. Não me julgue, não o matei simplesmente porque ele me decepcionou isso já havia acontecido antes, aliás, muitas vezes. Entretanto desta vez foi diferente, havia um tom de necessidade. E ele não se preocupou com isso, ele não fez questão de mim, apesar de ter dito com a classe de um ‘lord inglês’, ele me esnobou e não quis minha companhia. O que despertou minha ira.

Eu não sou dessas moças calmas e de bom coração, eu sou intempestiva e muito a flor da pele. Após ouvir cada palavra que ele disse eu me retirei sem dizer nada. Mas eu tenho certeza que ele percebeu que ali terminava uma amizade antiga e que eu pensava ser bonita. Eu fico míope quando amo alguém, e então nunca consegui ver como era de verdade. Mas com o detergente da decepção, conseguimos ver a realidade, viver a realidade. Me levei para fora da história e pude perceber que não havia intensidade da parte dele, era tudo comodismo.

Foi então que um cansaço tremendo se manifestou em mim, e pela primeira vez eu não quis combatê-lo, não, não... Eu o acolhi. O deixei instalar-se em meus sentimentos e então após analisar todo o caso, matei o moço, com premeditação eu sei. O que aumenta minha pena, também sei disso. E já que estou cuspindo minhas emoções, permita-me ainda dizer que eu não sinto nenhum remorso ou culpa. Eu não lamento, não sinto nada. É como se ele tivesse me pedido para cometer tal ato, eu estou leve e ele também. Com o passar dos dias essas reminiscências que ainda habitam algum lugar obscuro de minha memória irão se perder, então o cansaço sumirá e aquela doce sensação de paz tomará conta de todo meu ser, eu acredito.

Por Camila Blopes

12 de janeiro de 2012

Sozinha, como sempre.

Eu queria que alguém me entendesse, não, na verdade eu queria que você entendesse, que você percebesse que machuca. Queria me sentir bem ao ver você chorar, mas não fico feliz quando isso acontece, me sinto mal. Pois não me agrada ser nem choro, nem tristeza, queria ser o motivo de alguns sorrisos seus em pleno meio dia.
Talvez você não imagine como estou desde que tudo aconteceu. Você se distanciou e desta vez eu aceitei. Sua falta é tão imensa, é um vazio que nada consegue preencher. Eu mudei a cor e o corte do cabelo, comprei roupas novas, viajei e tirei um monte de fotos sorrindo. Escolhi as melhores e postei em meu facebook somente com o intuito de você ver e sentir algo... mas creio que não consegui te tocar.
Às vezes quase esqueço e passa. Deixo o passado e curto o agora! Mas vivo uma realidade paralela. Para sorrir preciso de algo que me entorpeça. Vou a festas, bares, baladas e quando volto pra casa, me sinto mais sozinha. No silêncio da madrugada coloco Adele para tocar e faço mais um drink. Entre refrões sofridos e goles gelados fico tentando encontrar motivos para mais um abandono. Nada faz sentido. Cansada, então durmo, e em sonhos eu voo. Grito. Eu sou livre. E por pouco, quase sou feliz.
Acordo e começa tudo outra vez. Trabalho, família, dinheiro, amigos, sociedade, hipocrisia. E novamente vem as dúvidas, as escolhas. Não posso ter meu trabalho dos sonhos e viver um amor. Nem posso ter dinheiro e minha família por perto. É tão ambíguo. Eu escolho, eu sei, mas não fico em paz totalmente.
Eu tive coragem de abandonar tudo e vir. Eu tive coragem de assumir um amor. Eu tenho coragem de continuar, todo dia. Eu sou corajosa. Mas eu também sou carente. Eu sinceramente não sei se quero mesmo te soltar no meio dessa estrada. Eu não sei se quero afastar-me de seu cadáver. Medo de nunca mais encontrar você em mim, ou no mundo. É preciso ter coragem eu sei. É preciso vontade, mas ainda não deixei de querer você, de pensar em você, de esperar você, de amar você.
Eu sou feliz, do meu jeito. Não é possível ter tudo, a gente escolhe. Eu escolho seguir, mesmo que seja dessa maneira. Eu serei feliz, prometo.



Por Camila Blopes




ei, eu te entendo. sei como é difícil. machuca.
você fica feliz de vê-lo chorar, mas sente culpa. e depois vem um vazio. e aí você preenche com tudo isso de novo. ou dá um tempo e corta o cabelo, ou faz e desfaz suas roupas. ou coloca um monte de fotos no facebook pra mostrar o quanto foi feliz em frente da câmera nova. e continua um vazio. que você preenche com radiohead, com discussões sobre netzsche ou contos das suas intermináveis aventuras na night. e você enche a cara e se sente livre. grita que se acha incrível atravessando a faixa de pedestres no meio da madrugada. e depois cai no choro. anonimamente. eu sei.mas, sabe, o amor, o trabalho, a família, o dinheiro, o bicho de estimação ideais nunca vão existir ao mesmo tempo. eu sei que você quer tudo. eu sei que você tem ambição. e entendo que o que te falta é o que te faz querer estar no lugar de alguém. e que dói. e que você, talvez sem maldade, deseje que o feliz seja infeliz como você. mas, sabe, chega disso. chega disso porque ninguém é completo. chega. coragem, sabe? coragem pra se descolar dessa muleta. coragem pra desapegar daquele amor, daquele trabalho, daquele dinheiro. coragem.seja feliz, por favor, e me esqueça. pra variar. eu não tenho culpa…


Por Willian Lins

17 de dezembro de 2011

‘tempo, tempo mano velho’

Quanto tempo faz? Eis uma pergunta que não sei responder de maneira convincente. Eu não consigo acreditar em mim e no tempo. Algumas recordações sobreviventes querem marcar presença. Insistência, durabilidade, falta de juízo. Foi uma época diferente, eu era outra pessoa. Quilômetros e quilômetros me separam de mim. Lembranças divertidas eu selecionei. Gosto delas. Por pouco quase sorrio quando elas surgem e tomam conta de mim... Falta de coragem, medo, por quê? A vida é feita de fases, e sabe, uma parte das pessoas evolui. O tempo passa e precisamos aprender coisas novas. Monólogo nada poético, nada convicto. Conversa vã comigo mesma. Coisas do ócio, talvez você consiga entender. Entende? Sinceridade não faz tatuagem, creio que é a falta dela é que traz marcas. Talvez irreversíveis, como maquiagem borrada em uma foto especial.


Por Camila Blopes

8 de setembro de 2011

Parta meu coração



Metodicamente, todas as noite quando me deito para dormir, penso em ti. Penso muito, muito em ti. Quase sempre peço a Deus para lhe proteger e iluminar tua vida, teus caminhos. Lembro-me das alegrias que vivemos, dos sentimentos bons que tu me proporcionou e sorrio, quase mostro os dentes, e depois choro. Fecho os olhos tentando coibir, mas não funciona, as lágrimas rolam grandes e sinceras.


Na verdade eu não choro por tua causa, choro por mim. Choro por perceber o quão ingênua, patética e desastrada sou. Será que lembra do meu perfume? Penso que não deve ter mais o número do meu celular. Acho que não sabe a data do meu aniversário, ou a minha idade. Lembra-se onde nos conhecemos? Que ingenuidade a minha...


Às vezes me questiono como consigo ser assim. E sempre me indago: Como posso passar tão rápido para as pessoas? Não me importo se passo para uma grande parte delas, me importo em ser esquecida rapidamente por aquelas pessoas que eu gosto, que são importantes para mim, que de algum modo fizeram parte de minha vida. Me machuca bastante isso e essa dor me faz sentir patética.



Eu tento entender, encontrar motivos, mas depois desisto. Finjo que não ligo.Meu desejo maior é conseguir esquecer também. Conseguir agir igual, simplesmente não me importar, não sentir falta, ser inteligente e abandonar essa história. Queria mesmo era te perder, ir e não te levar em mim. Agir a tua maneira. Entretanto meu raciocínio não é lógico quando tu és o assunto, penso em ti e fico burra, fico muito idiota. Daí eu me perco, eu sou um desastre quando tento me enganar.


Por Camila Blopes