Independente disso o mundo continuava a girar.
...
Era fim de Outono, o frio já havia chegado, e o aniversário de Priscila se aproximava, ela não estava animada, apesar de adorar fazer aniversário. Pensava que seus amigos não iriam lembrar, não iria comemorar com sua família pois estavam longe e além do mais iria trabalhar durante todo dia.
"Ai ai vida... e pensar que eu amo o fazer aniversário... Este ano será o segundo consecutivo sem comemoração! O que está havendo comigo?"
...
Pri acordou naquela manhã sem despertador, tomou um demorado banho, vestiu seu uniforme verde, passou batom rosa e foi trabalhar. Era um dia normal, um dia qualquer. Afinal que diferença faz ser o dia do seu aniversário para os outros?
Chegou ao seu local de trabalho recebeu alguns cumprimentos dos seus colegas, durante o dia recebeu várias ligações de seus amigos distantes e de seus familiares.
Foi um dia vazio, morno e sem sal.
Pelo menos estava sendo até chegar em casa e ver que suas amigas haviam feito uma festa surpresa para ela!
_ Nossa gente! Que bolo lindo... pensei que ninguém iria lembrar... Obrigada.
"Nossa que legal. Amo festa surpresa! Meus amigos são mesmo ótimos... eles não esqueceram de mim." _ Pensou feliz quando apagava a velinha.
Estavam todos lá: Carlinha, Bia, Tatiane, Fábio, Amélinha, Carol, Vini, e as Camillas.
"Nossa Eduardo não veio! Será que ele está chateado comigo?"
Pegou seu telefone disposta a falar com seu amigo... Mas não ligou, percebeu que era dia dela receber ligações, não de ligar. Deixou seu celular no quarto e voltou para a varanda, foi festejar com seus amigos de verdade.
Quase quando saiu, seu celular tocou, mas ela não ouviu... era Eduardo.
"Nossa, ela não quer me atender. Acho que está brava comigo... que cabeça a minha! Fui esquecer do aniversário dela... justo da Pri, que ama fazer aniversário?! Cabeça oca mesmo a minha, viu!?" _ Tentou mais três vezes...em vão.
Eduardo decidiu então ir a casa dela, dar pessoalmente os parabéns, apesar de estar em outra cidade, calculou e pensou que chegaria antes da meia noite lá.
A festa de Priscila foi animada e alegre. O pessoal foi embora cedo pois teriam que trabalhar na manhã seguinte.
Era quase outro dia quando Eduardo conseguiu chegar na cidade da menina... ele estava cansado e com sono. Infelizmente não viu um caminhão se aproximar... e num cruzamento, houve um acidente... O caminhão bateu no carro que Eduardo dirigia.
Edu ficou gravemente ferido e foi levado para o hospital.
Priscila estava deitada quando a ligaram para avisar sobre o acidente. Nem pensou direito, apenas trocou de roupa, pegou sua blusa e bolsa e foi direto para o hospital...
Mas infelizmente não teve como conversar com seu amigo... assim que chegou ela soube que Eduardo não resistiu ao ferimentos e faleceu!
Na hora ela não chorou. Não sentiu nada. Ficou em estado de choque...
"Nossa... como pude perder tanto tempo? Edu morreu... podíamos ter feito tantas coisas juntos, ter dado tantas gargalhadas... mas naõ... simplesmente aceitei o sumiço dele... que péssima amiga eu fui!"
Ela foi ao funeral... não chorou na frente de ninguém.
Ao chegar em sua casa, em seu quarto, ao deitar em sua cama... chorou muito e quase morreu de medo... olhou ao seu redor e sentiu como se estivesse no espaço... perdida... sozinha...
"Que péssima amiga eu fui..."
PiPiPiiiiiii PiPiPiiiiiiii PiPiPiiiiiii
O despertador tocou... era hora de levantar, afinal hoje era o dia de Priscila... não podia chegar atrasada no serviço no dia de seu aniversário!
Abriu os olhos aliviada de ter acordado daquele sonho ruim.
"Ai graças a Deus... foi apenas um sonho... melhor... um terrível e horrendo pesadelo! Nossa... hoje é meu dia... vamos ver o que ele me reserva....E se aquele cabeçudo do Eduardo não lembrar do meu aniversário... eu o mato!"
Por Camila Fernanda