Ando sem inspiração, deve ser coisa do tempo, anda fazendo muito calor por aqui. Pode ser também coisa do meu humor, ando feliz-ansiosa-triste-nervosa-contente-boba-esperançosa-insegura-amando-saudosa demais. Ou pode ser alguma coisa além do que os olhos podem ver, sabe essas coisas cósmicas. Enfim, pode ser que nem seja falta de inspiração, pode ser apenas falta de tempo, estou tendo dias corridos.
Mas sempre que paro e decido escrever, quero te por em minhas letras. Então... mais uma vez falo de você. Para falar a verdade você é meu conteúdo predileto.
Sinto que às vezes sou repetitiva, mas é que cada vez que falo, sinto algo diferente.
Você, Amor. Você, Paixão. Você, Saudade. Você, Dor. Você, Desejo. Você, Viagem. Você, Presente. Você, Passado. Você, Futuro. Você, Mim.
São tantos sentimentos batidos no liquidificador que tornam-se únicos e especiais. Eles são apenas nossos, somente a gente consegue entender (se bem que às vezes nem eu entendo).
Mas um deles reconheço de imediato quando aparece, ele geralmente vem cinza-chumbo e me faz enxergar com dificuldade, o ciúmes.
Minha alma é impregnada de ciúmes, não gosto. Estou melhorando, mas sei que a caminhada será longa. Vou conseguir finalizá-la, acredite.
Eu sei que você não se prende aos meus inúmeros defeitos, você gosta de enfatizar as coisas boas, sempre. E te admiro por isso, gosto de saber que sua gaveta de coisas ruins é quase vazia. Isso o torna especial, me faz gostar de ti ainda mais.
Eu quero transbordar suas gavetas das coisas boas, dos momentos lindos e lotar teu coração do mais vermelho dos amores, como num conto de fadas real... Devo?
Por Camila Blopes
Poliana não gostava de apaixonar-se, em sua concepção paixão era sinônimo de dor. Era uma jovem tímida, discreta e afável, que sempre carregava uma grande bolsa. Morava com sua família em uma simples, porem bela, casa.
Estava na faculdade, cursava Química e quase não tinha amigas. Poliana dedicava-se aos estudos, não entendia como as meninas de sua sala perdiam tempo com frivolidades. Alias apenas um desses assuntos levianos a interessava: Marcelo.
Marcelo era um apaixonado nato, para ele a vida sem paixão seria monótona demais. Ele era um homem decidido, moderno e responsável. Morava sozinho em um grande apartamento. Cursava o ultimo período de Odontologia.
Ele sequer sabia o nome de Poliana, mas como era da sala de seu primo às vezes se esbarravam, ele sorria e dava uma piscadela ela mal conseguia respirar e lhe responder com um “oi” meio engasgado.
Num dia de lua cheia se encontraram no estacionamento, ela seguia para o ponto de ônibus e ele para seu carro. Ele a ofereceu uma carona, ela não aceitou. Não conversaram mais que isso.
Alguns meses depois Marcelo se formou. Poliana não foi convidada.
Não se viram novamente.
Ele nunca soube o nome dela. Ela ainda pensa nele e no dia em que recusou a carona. Mas não se arrependia, sabia que aquilo poderia lhe trazer sofrimento. Poliana sabia guardar todos “quase” e “talvez” em sua bolsa... Juntamente com seu coração e seus sentimentos.
Sem querer outra opção, a jovem, seguiu com seus estudos lisérgicos, e prometeu “fazer química”, sempre.
Por Camila Blopes
Meu corpo não tem paz.
Dizem que o nome disso é obsessão, mas na verdade desconheço tal diagnostico.
Tentarei exprimir perto de você para que possa entender do que falo...


“... quero sentir a sua boca perto do meu rosto. Sentir o calor de sua respiração enquanto fala, passando perto da minha boca e queixo. Mesmo que fale qualquer coisa desconexa, indecifrável, eu não ligarei.

Estou anestesiado. Estarei tão concentrado em olhar sua boca que esquecerei completamente que posso escutar o que diz.

Minhas mãos vão de encontro aos seus cabelos, acaricio-te e me perco. Desço as mãos até suas costas, sinto sua pele arrepiar. Isso me faz ficar mais estimulado a querer você.

Em um grande misto de voracidade e insaciavelmente fugaz, meus lábios encontra sua boca. Sons surreais aparecem. Pareço-me que estou em um deserto e você é meu Oasis, Tento saciar minha vontade de me refrescar em seus lábios, mas só consigo me sentir mais quente.

Aproximo-me mais de você. De tal forma que somos um. Sinto cada relevo de seu corpo assim como você ao meu. Posiciono-me ainda de pé junto a você. Pressiono-te contra a parede. Estou sedento de seu corpo, de sua alma.
Seu coração lateja.
E isso me faz vibrar, estamos vivos.

Por fim, somos um. Entre gemidos e declarações. Minha mão percorre seu corpo, mas agora não consigo mais saber quem é quem. Somos um.
Estamos tão cúmplices que nos tornamos um só pecado e pecador.”


Agora entende por que meu corpo não tem paz?
Gusta Fernandes
Mundo Gusta