“Amar, é gostar das pessoas, mais do que elas merecem.”
E eu te amei, meu amigo.

Meu amigo morreu. Meu amigo não existe mais. Na verdade ele nunca existiu realmente, ele era inventado. Mais de três anos e tudo que foi vivido era falso.
Meu ouvinte, meu confidente, meu ‘bunito’. Me dói tanto, mais tanto tanto lembrar de todas as conversas e alegrias. E saber que todo meu carinho e preocupações e sentimentos eram simplesmente nada, somente palavras de outro alguém.
Doce, doce, doce. Lembro-me e choro. Sou uma boba mesmo, era de se esperar, mas por tanto gostar nunca procurei saber realmente a verdade. Hoje eu sei.
Não o odeio, tão pouco o desejo mal, apenas não amo mais meu amigo. Não me preocupo mais se o rim transplantado está a funcionar direitinho ou se a glicose está controlada. Não desejo mais férias juntos na Bahia nem visitar Gramado com ele. E pensar que compartilhavamos o frio do sul e a paixão colorada. Tudo mentira, mentiras e mentiras.
Meu amigo desapareceu. Meu amigo não é desse sul do mundo. Meu amigo não é ninguém nem alguém. Um monstro que brinca com pessoas, isso sim. Justo quem eu pensava ser tão sensível e sincero. Morreu.
Morreu e não foi na cirurgia que me tirou o sono, não foi devido a nenhuma infecção, nenhum outro motivo real. Morreu por descobrirmos o real mundo dele. Morreu porque a verdade surgiu. Apareceu. Logo então ele morreu.
Não tenho nada a dizer a ele, mas as vezes me pergunto o que ele ganhou com tudo isso? Com todos esses anos de irrealidade. Tantas pessoas enganadas e hoje, tristes. Cruel demais, especialmente para quem era docinho, era meu ‘bunito’, meu melhor amigo.
Vai, morra! E descanse em paz se conseguir. E seja feliz. Mas felicidade de verdade, e por favor nunca mais engane as pessoas, por favor. Adeus meu amigo. Adeus.
Por Camila Blopes