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19 de outubro de 2016

Amargamente delirante




_ Ei, está tudo bem contigo?
_ (...)
_ Tô preocupada.
_ Está tudo bem, mas está meio esquisito.
_ Quando quiser conversar estarei aqui. Te quero bem.
_ Conversamos outra outra.
_ Tá ok.


_ Sinto sua falta, moço.
_ (s i l ê n c i o)

_ Ei?
_ (s i l ê n c i o)

((s i l ê n c i o))²

(Desde então ela aprendeu a silenciar-se. Não souberam mais um do outro, nem se encontraram pelos caminhos da vida que continuou, mesmo sem doces delírios.)

11 de outubro de 2016

Deliciosamente delirante [3]


_ Como não querer alguém como você?!
_ Então me queira! Me queira muito! Porque assim não fico me sentido patética por querer tanto você.
_ Te quero, e é muito ! Te quero tudo!
_ Morri. (suspirando)
_ Moça, eu te quero cada dia mais! Haja espaço para tanto desejo!
_ Nem me fale.
_ Você já despertou tudo em mim. Não falta nada, só te ter.
_ E manter?
_ Por quanto o tempo nos permitir. Se for todo o tempo, que assim seja
_ Amém!
_ Tem coisas que eu não posso afirmar. Mas posso desejar e fazer o máximo pra que aconteça.
_ Eu sei... fique tranquilo.
_ Se em pouco tempo eu já descobri o quão você é perfeita, imagina com o passar do tempo então?!
_ Te quero pra mim! Te quero urgente.
_ Olha, é muito sobre desejo, querer beijar sua boca, sentir seu corpo, te amar... Mas também é sobre te envolver no abraço mais seguro que eu puder.

(Ela se sentiu patética quando lembrou que acreditou nessa urgência de querer.. O querer não adiantou muita coisa, não há nada de seguro na falta desse abraço.)

6 de outubro de 2016

Deliciosamente delirante [2]



_ Se for pra ser, será certamente!
_ Que sejamos. Me tenha, me sinta, me poeme?! Tô aqui... inteira e te esperando ansiosa.
_ Esse tempo entre nós foi o mais oportuno de todos. Aumentou nosso conhecimento um do outro, nossa intimidade se formando, nossas vontades.
_ Estamos nos conhecendo de verdade.
_ Exatamente . E tem sido muito bom. Tem muita magia em você.
_ Em você, né?! Chega a dar medo, por que, juro: você tem tudo que sempre busquei.
_ Caminhos que se cruzam sem explicação.
_ Espero q não seja apenas uma esquina.
_ Nem ligarei o GPS. Quero descobrir todos seus caminhos. Seguirei reinventando . Sendo criativo...
_ Gamei de vez! Me leva!
_ Venha !!!
_ Você já me tem.
_ Já nos temos então.

(Ela suspirou, procurou, mas não encontrou a magia de antes. Então seguiu... sozinha. Tentando não perder o caminho.)

4 de outubro de 2016

Deliciosamente delirante [1]



_ Estamos combinando num monte de coisas... (suspirando)
_ Verdade! O que é mais do que bom!
_ Espero que sim... pois dizem que são os opostos que se atraem.
_ Ah, acho que isso virou lenda. Não é mais verdade.
_ Hum... (pensativa)
_ E se for é só quebrar a regra!
_ Gostei. (sorrisos)
_ Assim que tem que ser, não é?!
_ Sim, mas nunca vi de verdade isso.
_ Estamos aqui para provar.
_ Tomara! (esperançosa)


(ela continuou suspirando, pensativa, lembrando das conversas. Sem sorrir percebeu que não podia mais ter esperança)

5 de dezembro de 2012

Sobre tarja preta, ligações e outras drogas


_ Ele me ligou, mas eu estava dopada. Estava há quase cinco noites em claro, então tomei um tarja preta da minha mãe, queria capotar. (...) Ah! Ele me disse várias coisas, mas me lembro apenas de algumas, recordo mais daquilo que eu falei. (...) Eu estava meio que 'sem filtro' e consegui dizer quase tudo que eu sentia e acho que foi por isso que ele sumiu novamente. (...) Me passa o sal, por favor? (...) Não, claro que não falei que o detestava, não menti em nada, quis somente verdades. (...) Ah, eu reclamei muito também, reclamei por ele ter concretizado os nossos planos com outra pessoa. E deixei claro a falta absurda que ele ainda me faz e confirmei que apesar de quase um ano de silêncio pouca coisa mudou. (...) Naquela noite eu dormi dopada e feliz, acreditei que realmente iríamos nos ver, que eu iria estar com ele e fazer outros planos, sei lá, talvez outro destino, sabe?! (...) Que nada! Acho que tudo não passou de um delírio causado pelo comprimido que havia tomado. O silêncio continua igual. (...) Me passa o sal, por favor? Ah e me ajude a lembrar, tenho que pedir o garçom dois comprimidos para viagem, preciso encontrá-lo novamente.
Por Camila Blopes

27 de junho de 2012

Paralelos musicais



_ Não faz mais diferença.
_ Sempre faz.
_ Não quando se trata de algo que já terminou.
_ O fim pode ser o começo.
_ O começo não muda o fim.
_ Não, mas pode mudar a história.
_ Não, pois será outra história.
_ Pode ser continuação, um novo capítulo.
_ Outra fase.
_ Outro sentimento.
_ Mais raiva?
_ Menos mágoa.
_ Talvez.
_ Você consegue.
_ Não sou boa em esquecer.
_ Eu sei, e eu já não sei lembrar.
_ 'Esforço para lembrar é vontade de esquecer', já dizia aquela música.
_ Música, uma especial me lembra você.
_ Maybe da Janis?
_ Não, uma do Teatro, 'Cuida de mim'.
_ Não.
_ Entendo...
_ 'O fim é belo, incerto...'
_ 'Maybe'.
Por Camila Blopes

16 de maio de 2012

Lacunas e escombros


Ultimamente você tem aparecido com frequência em meus sonhos e também em meus pensamentos. Confesso que senti saudade... No último sonho, você me beijava, mas me beijava intensamente. E eu te mordia, você me lambia. Eu te amava, você me amava. Estávamos tão felizes que eu sorria mostrando os dentes e eu via meu reflexo em teus olhos iluminados. Você me abraçava forte, como alguém que segura algo que não quer perder. Eu acordei esquisita, era como se faltasse um pedaço de mim. Faltava uma realidade bonita, eu queria viver de sonho. Faltava você e todas as emoções e sensações que você me provocava. E sabe, dói saber que essas faltas não podem ser preenchidas com sapatos novos, whisky importado, caras simpáticos ou noite em baladas. Tua lacuna não pode ser preenchida nem mesmo com concreto e tijolos. E isso me irrita muito. Me irrita saber e não fazer! Sei que preciso deixar você pelo caminho e seguir, mas não consigo. Me irrita planejar e não executar. Tenho saudade dos nossos planos. Me irrita saber que você levou meu coração e eu não fiquei com o teu... ei moço, devolve?
Por Camila Blopes

12 de abril de 2012

Que separam quintais



_ Está virando rotina pensar em você.
_ Que triste.
_ Triste?
_ É, só pensar não me leva aí.
_ Verdade. Essa coisa de pensamento positivo me irrita.

_ Penso em você.
_ Que bom.
_ Bom?
_ É, você pensar em mim me traz a ti.
_ Verdade. Essa coisa de pensamento positivo me anima.

_ Quer pensar em nós?
_ Quero mais.
_ Mais?
_ Quero o nós.
_ Mais.
_ Então?
_ Sejamos.
Por Camila Blopes

22 de março de 2012

Mil assopros

Talvez seja a hora de acabar com esta história torta, creio que deveríamos aproveitar o ensejo da tua partida e mantermos uma distância segura. Não gosto nada dessa situação, é constrangedora, apesar de achá-la bonita continua sendo errada. Mas antes que você vá, venha para mais perto de mim... vamos conversar um pouco.



Olha, nós não iremos nos perder na correria dos dias, continuaremos sendo amigos. Nos queremos bem. E ficaremos bem, apesar da saudade que nos acometerá às vezes. Confesso que tua presença constante me fará muita falta, já te contei como eu gosto das tuas caretas? E aposto que você já percebeu que adoro bagunçar teu cabelo. Gosto de minhas risadas misturadas com as tuas, minha mão sendo segurada pela tua, de nossos beijos, nossos abraços... Filmes, jogos, pizza, pão de queijo, Jack Daniel's ou Chivas! Gosto mais de tudo quando estamos juntos.


Mas agora, assim como você veio, você precisa ir. Eu preciso ficar. Precisamos nos desencontrar para reencontrarmos o caminho. E por algum motivo, neste momento apesar de paralelos, são opostos. Então é isso... Oh, me cuida!? Quero dizer, se cuida!? Algumas vezes minha dislexia momentânea dá o ar da graça e me faz dizer o contrário do que eu penso. Mas geralmente eu falo o que eu quero. Hãm? Não, isso não é uma lágrima, foi apenas um cisco que caiu em meu olho, assopra por favor? Ei, não chegue assim tão perto, você sabe... eu não te resisto...


Por Camila Blopes

14 de fevereiro de 2012

It's hard to take courage


_ Eu gosto de você.
_ E eu gosto de você.
_ Parece simples.
_ Pelo menos deveria.
_ Mas não, não é.
_ Não é, não.
_ Distância?
_ Somente física.
_ Outro amor?
_ Já foi. Hoje é meio que 'keep distance', sabe?!
_ Sei.

(TEMPO)

_ Mas aqui, é tão bonito, tão especial.
_ É sim.
_ Pode ser diferente, moça.
_ Pode, mas não é certeza que será e não suporto mais essas coisas que apenas começam.
_ Te machucaram tanto assim?
_ Mais que isso. Me deixei machucar também.
_ Não te peço muita coisa.
_ O que?
_ Peço apenas que não queira soltar minha mão somente por estar gostando de segurá-la.
_ Posso tentar.
_ Eu espero que queira... fugir não é solução.
_ Não, por isso as vezes nem quero chegar. Essas andanças me deixam exausta.
_ Prometo fazer de meu abraço teu melhor refúgio. Não existirá motivos para abandono.
_ Preciso...
_ Acredite, coragem!
_ Preciso...

Então se abraçaram e não quiseram mais soltar.


Por Camila Blopes

20 de novembro de 2011

O mais complicado e o mais simples pra mim

“Há sempre uma pessoa na sua vida, a qual, não importa o que ela faça com você, você apenas não pode deixá-la ir.”


_ Por favor, não desista de mim.
_ Mas você não me gosta.
_ Amo! Mas sei que me fará sofrer.
_ Não farei isso.
_ Já faz.
_ Não, eu te gosto.
_ Nos gostamos, nos amamos, mas todos os dias eu procuro por você, mas você nunca está. Você quis morar longe. E essa distância me faz sofrer.
_ Distância física, apenas.
_ Distância. Falta. Ausência. Saudade.
_ Então é melhor não começar.
_ Não, por favor, não desista de mim.
_ Não...
_ Não desista de mim, somos um.
_ Desde sempre.
_ Para sempre.
_ Destino.
_ Nosso.
_ Nós.
_ Por favor...
_ Nós, por favor...


Por Camila Blopes

4 de julho de 2011

Cansa ser forte.

"Às vezes é preciso respirar fundo antes de responder, calar em vez de falar, fechar a gaveta sem a arrumar..."






_ Ei, o que vai fazer final de semana que vem?

_ Não faço ideia, mas neste irei para a cidade dos meus pais.

_ Olha que coisa boa.



Então ela pensou na viagem que imaginou e no convite que queria fazer, mas nada fez. Lembrou-se do que sente, do que sentiu e do que sentiria caso a resposta fosse aquela que no fundo ela já sabia. Sentiu medo, não teve coragem. Silêncio e aceitação. Mudou de assunto e decidiu não mais querer aquilo que não se deve mais ter.

Por Camila Blopes

8 de maio de 2011

Enquanto isso em alguma despedida...



_ Lindinha, por que é tão ressabiada assim?

_ É que já ouvi algo parecido e o meu final não foi feliz.

_ Não me julgue pelo que os outros fizeram a você.

_ Não lhe julgo, apenas sinto medo.

_ Confie em mim.

_ Sempre confio... e por isso me machuco.

_ Querida, eu não quero te machucar.

_ Ninguém quer no fundo.

_ Mas realmente às vezes acontece, é sempre um risco.

_ O amor é um jogo.

_ É!

_ Sempre tive azar.

_ Sempre tive sorte.

_ Sorte? Você acha mesmo sorte ter me conhecido?

_ Claro, você acha que é fácil encontrar uma mineira chamorsa, que sabe coisas sobre rodovias e tem medo de grilos?

_ E isso é bom?

_ E muito. Lindinha, você é muito especial para mim. Acredite!

_ Por favor... me ajude a acreditar?

_ Sempre.

Por Camila Blopes

31 de março de 2011

'cão engarrafado'


_ Meu, eu preciso de um whisky!

_ Você fala feito homem, Bela.

_ Ora Carlos, só porque preciso de uma bebida forte?

Sorriram juntos enquanto esperavam o retorno do garçom. A conversa fluía naturalmente quando do nada ela se lembrou do rapaz que a abandonou:

_ Por que todo homem é filho da puta?

_ Nem todos.

_ Noventa e nove por cento?

_ Por aí. É nossa natureza, somos caçadores natos.

_ Não nasci para ser caça.

_ Você é totalmente diferente das mulheres que conheço. Não nasceu mesmo para ser caça. E é por isso que está sozinha.

_ É grave assim?

_ Muito! Que homem quer namorar uma mulher que gosta de mandar? Que tem liderança e ambição de homem? Que se importa mais com o trabalho do que com vida social? Cara, você não aceita que te pague uma bebida, um cinema, uma balada! Você tem personalidade demais!

_ E isso é ruim?

_ Homem tem medo de mulher decidida, de mulher poderosa. Homem não gosta de obedecer, e sim mandar.

_ Eu não gosto de obedecer.

_ É Isabela, por isso está e continuará sozinha então.

Ela levou o copo à boca, tomou um generoso gole e falou seca e dolorosamente:

_ É, no fundo eu sempre soube que nasci para viver sozinha.

_ Vou pedir outra dose pra ti.

_ Não, pode deixar, eu peço... uma garrafa!

Por Camila Blopes

11 de novembro de 2010

Eu gosto quando somos


_ Minha moça do cabelo amarelo e sorriso largo.
_ Meu moço encantador dos olhos de esfinge.
_ Olhos de esfinge?
_ Sim, meio que ‘decifra-me ou devora-me’.
_ Adoço-te!
_ Simplesmente por existir.
_ Contigo sou, não apenos existo. Obrigada!
_ Obrigada eu, por você ser.
_ Teu.
_ Sua!
_ Ah moça... essa tua voz a me dizer.
_ Ela transmite o que sinto, o que você me faz sentir.
_ Conte-me?
_ Doçura. Doçura e poesia.
Por Camila Blopes

11 de abril de 2010

Lucky

"Tenho sorte estou apaixonada pelo meu melhor amigo
Sorte por ter estado onde estive
Sorte por estar chegando em casa de novo
Tenho sorte estamos apaixonados em todos os sentidos
Ninguém sabe quanto isso dura

Sempre quis um amor como esse
Sempre que a gente diz adeus
Eu quero mais um beijo"

.

(...)
Acordei no sul. Dormi no sudeste.
A ansiedade tomava conta de mim, logo iríamos nos ver. Me sentia feliz, pois eu estava em casa novamente.
Tive bons sonhos com você....
O dia foi comprido. Silencioso...
Choveu bastante.

(...)
Fui acordada pelo meu irmão, mas não fiquei de mal humor, afinal iriamos para a cidade que eu tanto gosto. Iria ver você, iria passar a Páscoa com minha família. A casa da vovó estava cheia, primos, primas, tios, tias, amigos. Como é gostoso esse ambiente familiar, gente conhecida e querida. (saudade disso)
Cheguei, fiquei um pouco por lá e logo fui te ver... caminhei sozinha até a tão conhecida praça. Então cheguei devagar perto de você.
Amei ver seus olhos surpresos e seu rosto enrubescido.
_ Cá?! Nem avisou que viria!
_ Achei melhor fazer surpresa. Fiz mal?
_ Claro que não! Nossa! Estou perdi o fôlego! Sonhei contigo essa noite e você me aparece assim, do nada. Pensei que estive no sul.
Preferi não dizer mais nada, achei melhor te abraçar e beijar e apertar
.
Não entendo como consigo te achar cada vez mais lindo.
Conversas, sorrisos, carinho, cumplicidade, amor e amizade.
Contigo tudo é mais bonito. Mais colorido. Mais cheiroso. Mais iluminado.
A noite chegou. Combinamos de você me buscar mais tarde.
O plano desta vez era: ‘Dançar até a gente aguentar’.
Me arrumei exclusivamente para você. E sei o quanto gosta disso, pude notar quando você me viu aparecer no portão. Depois de me beijar, me entregou um embrulho com fita cor de rosa e me encarou com aquele sorriso meio-canto-de-boca que só você tem.
_ Para você.
_ O que é?
_ Abra!
Abri sem conseguir imaginar o que poderia ser. Não acreditei quando eu vi. Era o perfume da Cacharel que eu tanto queria.
_ Você mais do que ninguém tem cheiro deste sentimento para mim.
_ Amor Amor.
Subimos abraçados, brindando nossas horas juntos.
Já te falei que você dançando é um charme? Fico até com ciúmes.
Gosto quando você segura meus cabelos. Gosto quando você canta olhando para mim, não me importo da música ser brega. Gosto quando te mordo e você me faz prometer que não farei mais isso. Gosto quando dançamos juntos. Gosto quando faço charme e você fica fazendo caras sensuais. Gosto quando eu danço e você segura em meu quadril. Gosto da gente como casal, seja de amigos ou namorados ou de sei-la-o-que.
Nos divertimos muito.
Depois de toda diversão, era hora da despedida. Você me levou em casa. Era quase dia. Beijos de olhos fechados. Corpos colados, com vontade de não separar.
_ É, mais uma despedida.
_ Infelizmente.
_ Felizmente.
_ Se há despedida é sinal que estivemos juntos.
_ Verdade.
_ Não me deixe com muita saudade.
_ Prometo aparecer logo.
_ Saudade já.
_ Saudades...
Antes de fechar o portão soprei um beijo para você, e morri de rir. Me senti uma adolescente boba. Você o pegou e o colocou em seus lábios, morrendo de rir também. – Confesso: adoro nossas criancices. –
Então me deitei. Adormeci por poucas horas. Era hora de ir.
Vovó chorou. Eu chorei. Minha mãe não chora. Outras despedidas.
O vôo atrasou demais. A conexão mais ainda. Cheguei no hotel cansada, feliz, com saudades e claro exalando Amor, Amor Amor.
Por Camila Blopes

31 de março de 2010

E ir acumulando afetos

"A dor de partir não é nada em comparação
com a alegria do reencontro."
.
.

.
_ Por favor... não vá.
_ Mas Princesa, eu preciso! A gente não pode ficar aqui para sempre.
_ Ah e por que não? Aqui está tudo tão perfeito, tão lindo!
_ Perfeito, lindo e incrível. Por mim eu ficaria contigo o tempo todo, mas não pode ser assim, a vida não é assim.
_ Mas queria que fosse! Só nós dois pelo menos por mais algumas horas. Ainda estou com saudade.
_ Se fosse assim , você seria feliz?
_ A criatura mais feliz do planeta.
_ Então eu fico minha teimosa, fico contigo por mais algumas horas. Só para te fazer feliz!
_ Amo você!
_ Amo você!

Suspiro e olhares maliciosos

_ Mas depois eu terei que ir, está bem?
_ Ah... depois é depois. O importante é que estás comigo agora.
_ Adoro quando faz charme para me convencer a ficar mais tempo com de você.
_ E eu adoro quando consigo te convencer...

Depois não lembro o que aconteceu. Só retenho na memórias os nossos encontros, nunca nossas despedidas.

Por Camila Blopes

19 de fevereiro de 2010

Sem deixar pedaço algum para trás...

"Talvez um voltasse, talvez o outro fosse. Talvez um viajasse, talvez outro fugisse. Talvez trocassem cartas, telefonemas noturnos, dominicais, cristais e contas por sedex (...) talvez ficassem curados, ao mesmo tempo ou não. Talvez algum partisse, outro ficasse. Talvez um perdesse peso, o outro ficasse cego. Talvez não se vissem nunca mais, com olhos daqui pelo menos, talvez enlouquecessem de amor e mudassem um para a cidade do outro, ou viajassem junto para Paris (...). Talvez tudo, talvez nada"
Caio F.

Eu quase havia me esquecido como você é encantador. Quase. Senti uma onda de calor quando o vi em minha frente: lindo, moreno e sorridente.
Ah que sensação gostosa é esse misto raiva e paixão.

Eu jogava um monte de palavras no ar, você as sentia. Sorriamos. Algumas que outrora eram dilacerantes agora nos provocavam risos. Discutimos. Normal, afinal desde o dia que nos conhecemos fazemos assim. Muitos anos....
Mudamos tanto. Mudamos nada.

Coincidência? Destino! Você aparece para me visitar, saber de mim e eu te conto que estou de mudança. Irei para outra cidade, outro estado. Gosto dos seus conselhos, mesmo que sejam impertinentes. As horas se apressaram a passar.
Foi muito bom ouvir suas histórias, seus planos, seus desejos.

Ah desejos! Queria poder ler seus pensamentos. Queria poder fazer você saber dos meus sem precisar falar... Mas não precisamos disso, sabemos nos ler.
Seus olhos não mudaram nada. Minhas manias também não.

Era hora de nos despedir. Nos abraçamos. Nos sentimos. Me lembrei de todos os meses que passamos juntos. Do nosso namoro e de nossas brigas. Sorri chorando. Reparei que você também estava emocionado. Nada falamos.
Então você beijou minha bochecha. Meu pescoço. Minha boca.

Me vi voltar no tempo. Me vi te esperando ansiosa para sairmos de mãos dadas. Me vi suspirando ao falar de ti. E me vi chorando quando terminamos nosso relacionamento.
Mas voltei a tempo de aproveitar o momento. Eu te beijei hoje. Eu vivi o hoje.

Saudade do seu beijo. Saudade do seu cheiro. Saudade do teu abraço. Saudade da sua mordida. Saudade do seu jeito. Saudade das nossas coisas. Saudade de nós. Cometi um crime passional, matei todas essas saudades.
Antes de ir você me abraçou e com ternura e disse:

_ Nunca deixei de te amar.
_ (eu não sabia o que dizer)
_ Boa sorte! E promete ser muito feliz?
_ Sempre.
_ Está triste?
_ Não.
_ Por que está assim?
_ Você aparece quando é hora de ir.
_ Coincidência.
_ Destino.

E então você me beijou intensamente a boca. Entrou em seu carro e se foi.
Eu fiquei, me preparando para ir. Um rumo oposto ao seu. Outros Caminhos.
Vivemos mais uma despedida
.
Por Camila Blopes

20 de janeiro de 2010

Doce. Doce? Doce!

Eu estava ansiosa para te encontrar, fazia alguns meses desde nosso ultimo abraço. Acho que na época ainda não havíamos descoberto que nossa amizade era mais colorida que meus sonhos.
Caminhei dançando pelas ruas de calçamento irregular, eu mal cabia em mim...
A cada segundo o ritmo do meu coração acelerava.
Mais alguns passos. Batidas descompassadas.
Você!
Lindo, sorridente, iluminado e inquieto me esperando naquela tão conhecida praça.
Ai, como você fica lindo sob a luz do sol.
Ao me ver sorriu com os lábios e também com os olhos. Eu era toda sorriso.
Fiquei um pouco desajeitada e diminui o passo, você veio ao meu encontro.
Abriu os braços. Eu me joguei em ti. Encaixe perfeito.
Depois me olhou, disse o quanto estava diferentemente bela, e me beijou no cantinho da boca, com aquele ar de ‘foi sem querer, querendo’.
Nos sentamos debaixo de uma árvore e a
conversa fluía naturalmente. Falávamos sobre o destino da viagem que iremos fazer juntos depois da sua formatura, quando do nada você me disse:
.
_ Esqueci de uma coisa!
_ O que? - Eu disse surpresa, sem entender nada.
.
Então você me segurou nos ombros, me fazendo girar até ficar de costas para ti, levantou meu cabelo loiro, admirou minha tatuagem e a beijou docemente.
Eu arrepiei de maneira jamais sentida, com direito a cangurus no estômago novo.
.
_ Sua tatuagem é linda. – Você sussurrou para mim
_ Teu beijo é doce. – Eu respondi me virando
.
Senti mais cangurus saltitantes quando vi o teu olhar no meu.
.
_ Doce? – Com aquela cara pueril.
_ Doce. – Sussurrei próxima dos teus lábios.
_ Não faz assim, posso não resistir e...
_ E?
_ E... – Então me beijou a boca.
_ Doce! In-co-men-su-ra-vel-men-te d o c e . – Falei baixinho enquanto recuperava o fôlego que você havia me roubado.
.
Beijos assim são raros... Você fez tudo se transformar em poesia, até a saudade.
Eu estava cansada de ver apenas pedra quando eu olhava para pedras.

Obrigada, Amor.
Por Camila Blopes

12 de maio de 2009

“Ao infinito e além!”

_ Caroline, quer ir comigo?
_ Ir? Para onde?
_ Um lugar mais longe que as estrelas.
_ Onde, Pablo?
_ Ao infinito e além. Vamos?
_ ...

Ela não foi, deu as costas e saiu andando sem olhar para trás. Andou como quem anda para lugar nenhum...
Carol não podia ir. Ela, tinha uma bagagem grande em seu peito, não poderia levá-la consigo, muito menos jogá-la ali mesmo, sem um ritual de despedida ou algo assim.
Voltou para casa e a guardou (ao alcance dos olhos).

Ela não queria esquecer.
Por Camila Blopes