17 de dezembro de 2013

Quando eu era jovem...

Carta 5

Eu gostava quando nos sentávamos lado a lado, conversávamos sobre mágoas enquanto esperávamos o sol aparecer, na esperança que ele transformasse em poeira todas nossas decepções. Também sinto saudade do menino bonito que você era, e da sensação que você podia me salvar, salvar daquele jeito antigo, não desse jeito que é hoje. Nunca quis que matasse algum dragão, mas desejei que deixasse ser da maneira que eu sou. Não tenho mais paciência para esperar, seja o sol, a morte ou você.

Apesar de serem imprevisíveis (o sol, a morte e você), eu sei que a qualquer momento surgirão. Você que é bonito (apesar de não ser mais tão menino) fala como um cavalheiro e fala palavrões. A morte que é misteriosa é a única certeza que temos ao nascer. O sol que esquenta e também queima.

Podemos escalar essa montanha? Eu não sei se conseguirei, ela é mais alta do que consigo imaginar, nunca soube estimar nada. Talvez possamos fazer isso se formos devagar, vamos pegar leve, pode ser mais fácil agora. Deixe-me subir. Suba comigo. Vamos ir?

Estamos queimando abaixo do horizonte, minhas costas doem. Já não sou jovem... No olho de um furacão que começou a girar, me vejo como antigamente, quando eu era jovem e ainda conseguia imaginar montanhas bem altas. E às vezes você fecha seus lábios, e seus ouvidos e some. Não vê o lugar que você costumava existir dentro de mim. Eles falam que a água do topo, não é tão doce, mas tenho vontade de tomá-la agora. E também de mergulhar contigo nela... Um pouco toda hora. 

Eu gostava de tudo isso, gostava até da esperança que eu sentia. Já não gosto mais da saudade, dos sentimentos. Despeço-me por aqui, já disse muito mais do que você irá saber sobre mim, sobre a morte e sobre o sol.
Por Camila Blopes
Carta inspirada na música When you were Young - The Killers

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