21 de novembro de 2009

Razão eloquente

Poliana não gostava de apaixonar-se, em sua concepção paixão era sinônimo de dor. Era uma jovem tímida, discreta e afável, que sempre carregava uma grande bolsa. Morava com sua família em uma simples, porem bela, casa.
Estava na faculdade, cursava Química e quase não tinha amigas. Poliana dedicava-se aos estudos, não entendia como as meninas de sua sala perdiam tempo com frivolidades. Alias apenas um desses assuntos levianos a interessava: Marcelo.
Marcelo era um apaixonado nato, para ele a vida sem paixão seria monótona demais. Ele era um homem decidido, moderno e responsável. Morava sozinho em um grande apartamento. Cursava o ultimo período de Odontologia.
Ele sequer sabia o nome de Poliana, mas como era da sala de seu primo às vezes se esbarravam, ele sorria e dava uma piscadela ela mal conseguia respirar e lhe responder com um “oi” meio engasgado.
Num dia de lua cheia se encontraram no estacionamento, ela seguia para o ponto de ônibus e ele para seu carro. Ele a ofereceu uma carona, ela não aceitou. Não conversaram mais que isso.
Alguns meses depois Marcelo se formou. Poliana não foi convidada.
Não se viram novamente.
Ele nunca soube o nome dela. Ela ainda pensa nele e no dia em que recusou a carona. Mas não se arrependia, sabia que aquilo poderia lhe trazer sofrimento. Poliana sabia guardar todos “quase” e “talvez” em sua bolsa... Juntamente com seu coração e seus sentimentos.
Sem querer outra opção, a jovem, seguiu com seus estudos lisérgicos, e prometeu “fazer química”, sempre.
Por Camila Blopes

14 andarilhos:

Tatá R. da S. disse...

Acho que é a primeira vez que sou a primeira a comentar. xD
Adorei Caah! Você tem o dom, né? *-*
Eu pude assistir como um filme. ^^
E sabe, as vezes eu queria ser como Poliana, mas tenho a primeira característica de Marcelo, apaixonada nata que acha que vida sem paixão não tem muita graça. Isso é bom e ruim, tem um certo preço né... O preço que Poliana não gostaria de pagar.
Beijos ciumentinha linda!
<3

Athila Goyaz disse...

Desencontros ! :S

Alias teve oportunidade porem o medo falou mais alto... e o universo ainda conspira!

bjus

Marcelo Mayer disse...

se o amor é uma fantasia, ela se encontra em pleno carnaval

Blog do Vascão disse...

Oi Camila, pasando para te deixar um abração e desejar um ótimo domingão.

Beijosss
Jeferson

Luciana disse...

Ela quer fazer química sempre, apesar de também manter-se longe da química dos casais.

Bonito, Cahzinha!
Beijo grande!

Erica Ferro disse...

E ela precisava arriscar, mesmo que se ferisse. Pois se ferir é coisa normal e quase inevitável nessa vida.

Gostei desse mini-conto.

Um beijo, Cah.

Luan Fernando disse...

A nossa vida costuma sempre nos dá novos caminhos, cabe a gente continuar no mesmo, ou se aventura em um novo!

Fernanda disse...

que lindo Camila...

tô aqui me perguntando por que ela não aceitou a carona =(

Ricardo Novais disse...

Olá Camila,

Vim retribuir a visita ao meu blog, surpreendi-me. Já havia percebido, pelo twitter e nos seus comentários, que vc escreve muito bem; mas jamais imaginei encontrar uma escrita tão sagaz, reflexiva e, até, irônica.

Parabéns pelo texto! Tem uns lances rodriguenianos nele e uma 'crítica' sutil do modo como as pessoas vivem, hoje em dia, alheias a tudo que lembra os contos do velho Machado.

Isto tudo com uma criação original, autêntica; sublime!

É maravilhoso o seu blog! Creia, estarei sempre por aqui lendo seus contos. ;-)

Robs disse...

Nossa Cah...

Que lindo! As vezes a gnt deixa escapar pelos dedos chances de sermos felizes!

Um dia ela vai perceber q nem sempre da pra fazer quimica.

Bjokass! =)

Dani disse...

Não gostei desse.

Cαmilα ♥ disse...

Obrigada andarilhos meus!


BeijOs

paula barros disse...

Esse seu texto me fez lembrar que por medo de sofrer, sofremos.

Uma química que sempre dá essa reação.

abraços

Cαmilα ♥ disse...

Verdade, Paulinha!
Super beijO

:**

 

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